Como o confinamento de corredores melhora a eficiência em data centers

Ilustração técnica mostrando fluxo de ar frio e quente em corredor confinado de data center

Ao longo da minha experiência em projetos de ambientes críticos, sempre percebi como detalhes aparentemente simples podem transformar completamente o desempenho de um data center. O confinamento de corredores é um desses detalhes que costuma passar despercebido por quem não vive a rotina operacional. No entanto, quando bem projetado, ele soluciona boa parte dos desafios associados à climatização de precisão em data centers ou demais ambientes críticos.

Os principais desafios de climatização em data centers

Quando entro em um data center sem confinamento, o cenário é, quase sempre, semelhante: ar condicionado de precisão trabalhando no limite, altos custos de energia e, ainda assim, servidores apresentando pontos de superaquecimento. Mas por quê?

  • O ar frio desviado não chega corretamente aos servidores.
  • Há recirculação do ar quente, que volta para a frente dos equipamentos, prejudicando o resfriamento.
  • A pressão negativa pode “puxar” o ar frio para locais indevidos.

Esses problemas são rotineiramente recorrentes. A cada projeto, percebo que a principal saída é o confinamento de corredores, solução que aprofunda o conceito de separação entre ar quente e ar frio.

Como funciona o ar condicionado de precisão nos data centers?

O primeiro passo para entender o impacto do confinamento está no funcionamento dos sistemas de climatização. Os ar-condicionados de precisão, uma das especialidades da Lamaro Lima Engenharia, captam o ar quente do ambiente, resfriam e o devolvem aos corredores onde os servidores capturam esse ar para seu próprio resfriamento.

Durante minha atuação, já presenciei locais sem qualquer barreira física para guiar esse fluxo, o que, literalmente, deixa o ar “se perder” no ambiente. O resultado? Ineficiência, desperdício, riscos.

Conceitos de confinamento: corredor frio e corredor quente

O confinamento de corredores nada mais é do que a estratégia de isolar fisicamente, com portas, painéis superiores e laterais, o corredor por onde o ar trafega. Existem dois grandes conceitos:

  1. Confinamento de corredor frio
  2. Confinamento de corredor quente

Ambos buscam garantir que o ar frio entregue pelo ar-condicionado vá diretamente aos equipamentos e que o ar quente, gerado pelo funcionamento dos servidores, seja corretamente captado para retornar ao sistema.

Separar o ar frio do ar quente é o segredo para o resfriamento uniforme e eficiente.

Confinamento de corredor frio: como funciona?

No confinamento do corredor frio, todos os racks são posicionados com suas faces frontais voltadas para um corredor central. Sobre esse corredor, instala-se uma “tampa” (teto), de vidro ou acrílico, e portas nas extremidades. Assim, o ar frio lançado no piso elevado é “obrigado” a sair apenas dentro deste corredor, sem se espalhar para áreas onde não existem equipamentos consumindo esse resfriamento.

  • Reduz o desperdício de ar frio.
  • Deixa a temperatura mais equilibrada diante dos equipamentos.
  • Evita a formação de “ilhas quentes” (hot spots) na entrada do rack.

Uma recomendação importante, baseada na prática: a vedação dos vãos dos racks é fundamental para o bom desempenho do corredor frio, já que qualquer fresta pode prejudicar toda a estratégia térmica.

Confinamento de corredor quente: como funciona?

No confinamento do corredor quente, o “teto” e as portas são instalados no corredor onde as faces traseiras dos racks se encontram. Esse local é onde o ar quente, expelido pelos servidores, fica retido e canalizado, o que direciona o fluxo diretamente ao retorno do ar-condicionado de precisão.

Esse modelo pode, inclusive, elevar a temperatura do corredor quente para além de 35°C, conforme novas práticas do setor apoiam. A experiência mostra que, ao impedir que o ar quente “escape” para o ambiente, o sistema de climatização pode operar de forma inteligente, ajustando menos o compressor e economizando muito mais energia.

Desafios do confinamento: temperatura, “hot spots” e flexibilidade

Durante a implementação de diversos projetos, observei desafios interessantes. O controle de temperatura se torna mais confiável, mas ainda pode haver:

  • Diferenças de temperatura entre a parte superior e inferior dos racks;
  • Hot spots em áreas sem vedação adequada ou com equipamentos de alta demanda térmica;
  • Necessidade de ajustes no fluxo de ar devido à instalação de novos equipamentos.

Além disso, tanto o modelo de corredor frio quanto o de corredor quente trazem impactos para o operacional. Por um lado, o corredor frio precisa de um ambiente confortável para acesso técnico (pois o ar frio está confinado ali), o que limita a temperatura do local. Já no corredor quente, o acesso ao interior do isolamento só deve ocorrer para manutenção, pois o desconforto térmico é intenso.

Comparando as duas opções: vantagens e limitações

Olhando para os projetos conduzidos pela Lamaro Lima Engenharia, sempre recomendo analisar o que mais se encaixa na necessidade local. Para ajudar, fiz este comparativo:

  • Corredor frio:
  • Pode ser mais confortável para técnicos.
  • Exige grandes cuidados com vedações dos racks.
  • A temperatura ambiente do data center precisa, geralmente, ficar um pouco abaixo da recomendada por normas internacionais, pois o calor ainda circula livremente fora do corredor.
  • Corredor quente:
  • Permite temperatura ambiente mais elevada fora do isolamento.
  • Potencializa a economia de energia.
  • Pode ser desconfortável para manutenção, já que o corredor confinado chega a altas temperaturas.

Em qualquer alternativa, é necessário planejar a instalação dos racks e adaptar o layout conforme a demanda e futuras expansões. A escolha impacta o direcionamento dos fluxos de ar, o consumo dos sistemas e a própria eficiência do ar-condicionado de precisão.

Confinamento de corredor frio em data center Integração com a infraestrutura: muito além do ar condicionado

Sabemos que um data center depende de outros sistemas, como UPSs, painéis elétricos e geradores, todos fundamentais para garantir a continuidade e a estabilidade dos serviços. Por isso, destaco a importância de combinar a estratégia térmica com boas práticas na instalação desses equipamentos.

Em vários projetos, notei que o mau posicionamento de um rack, um painel de piso mal vedado ou mesmo a falta de tampas cegas de rack pode causar impactos inesperados no controle térmico. Além disso, em projetos onde existe o confinamento de corredores, é importante analisar as posições das instalações de outros equipamentos que compõe a infraestrutura crítica do data center, como quadros elétricos e UPS. Dependendo do layout do ambiente, o corredor confinado pode contribuir para uma melhoria térmica do quadro elétrico ou UPS, ou em contradição, pode aumentar riscos de superaquecimento da máquina.

Observando o conjunto desses fatores, é possível criar ambientes robustos, seguros e com gastos otimizados, como a Lamaro Lima Engenharia faz em seu portfólio.

Considerações finais

Já fechei muitos projetos convencido de que, sem o confinamento, a climatização é um desafio permanente e caro. Após esta jornada, nos vídeos e aqui, espero ter mostrado como esse conceito resolve o desvio do ar frio, a recirculação do ar quente e a pressão negativa.

O confinamento de corredores proporciona um ambiente bem mais previsível, seguro e estável para os equipamentos de TI.

Além de artigos e vídeos como os que produzi sobre os melhores procedimentos para instalação de ar condicionado de precisão, cursos sobre infraestrutura de data center e treinamentos práticos são um ótimo complemento para quem deseja alcançar alto desempenho em ambientes críticos.

Se você quer um data center confiável e econômico, recomendo conhecer mais sobre as soluções e projetos da Lamaro Lima Engenharia. Elas são projetadas para ambientes que não aceitam improviso. Entre em contato e garanta mais eficiência, segurança e longevidade para seus equipamentos.

Perguntas frequentes sobre confinamento de corredores

O que é confinamento de corredores?

Confinamento de corredores é a estratégia de isolar fisicamente, com portas e painéis, o corredor frio ou quente entre racks de servidores em um data center, separando os fluxos de ar para garantir melhor desempenho térmico. Assim, o ar frio chega diretamente aos equipamentos, enquanto o ar quente é adequadamente removido.

Como o confinamento melhora a eficiência?

Ao impedir que o ar frio se misture ao ar quente, o confinamento faz com que o ar-condicionado de precisão trabalhe menos para manter a temperatura dentro das faixas recomendadas. Isso reduz custos de energia e prolonga a vida útil dos equipamentos. A separação dos fluxos térmicos é a chave para diminuir desperdícios e evitar pontos de superaquecimento.

Vale a pena usar confinamento de corredores?

Para a maioria dos ambientes profissionais, sim. Na prática, o investimento se paga com a redução do consumo de energia, menos falhas de equipamentos e mais controle sobre as temperaturas internas.

Quanto custa implementar confinamento de corredores?

O custo depende do tamanho do data center, quantidade de racks e materiais escolhidos (vidro, acrílico, portas automáticas, etc). Mas, na minha vivência, o retorno costuma ser rápido, pois a economia de energia e a redução de falhas compensam o investimento.

Quais são os tipos de confinamento disponíveis?

Os principais são:

  • Confinamento de corredor frio (isola o corredor por onde circula o ar frio)
  • Confinamento de corredor quente (isola o corredor onde o ar quente sai dos equipamentos)

Há variações em materiais e formatos de vedação, e a melhor escolha vai depender do layout, densidade de equipamentos e dos objetivos de cada projeto.

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